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Afonso IX de Leão (Zamora, 15 de Agosto de 1171 - Zamora, 23 de Setembro de 1230), cognominado o Baboso por Ibn Khaldun porque seria acometido de fúrias durante as quais espumava da boca, foi o último soberano do Reino de Leão independente, de 1188 até à sua morte.
editar Subida ao tronoAfonso era filho de Fernando II de Leão e de Urraca de Portugal e, portanto, neto materno de Afonso I de Portugal e Mafalda de Sabóia, sobrinho de Sancho I de Portugal. Em 1181 os seus pais separaram-se devido a serem primos em 3º grau, regressando a sua mãe à corte do seu avô materno D. Afonso Henriques e ficando Afonso entregue à tutela do seu pai. Teve de enfrentar a sua madrastra Urraca Lopes de Haro e o seu meio-irmão Sancho, pelo direito à coroa de Leão. Para fortalecer a sua pretensão convocou a Curia Regia para receber o apoio do clero, da nobreza e dos representantes das cidades. As Cortes de Leão de 1188 podem ser consideradas o primeiro antecedente na Europa Ocidental do parlamentarismo moderno. Nelas foi reconhecido o direito à inviolabilidade do domicílio e o de habeas corpus, entre outros. Em 1188 Afonso tornou-se rei de Leão após a morte do seu pai. Nesse mesmo ano morreria também a mãe Urraca de Portugal. Segundo a numeração cronológica real do Reino de Leão deveria ser conhecido como Afonso VIII de Leão, mas a sua denominação com o ordinal IX é a mais habitual. A justificação pode ser devida a o seu primo mais velho Afonso VIII de Castela ter assumido o ordinal antes. editar ReinadoCasou-se em 1191 com a sua prima direita Teresa Sanches, filha de Sancho I de Portugal e de Dulce de Aragão. A união seria anulada em 1194 pelo papa e só após algum tempo Afonso acataria a anulação. Em Dezembro de 1197 celebra segundas núpcias em Valladolid com a sua prima em 2.º grau Berengária de Castela, filha de Afonso VIII de Castela e Leonor Plantageneta. Deste segundo casamento Afonso teve o herdeiro que uniria as duas coroas, Fernando III de Leão e Castela. O seu segundo estratégico casamento seria anulado em 1204, novamente por consanguinidade. Encarado como uma afonta ao poder papal, teve como reação um interdicto (o equivalente à excumunhão para um reino ou territótio) sobre a sua pessoa e o seu reino. No entanto, Inocêncio III acabou por levantar a sanção sobre Leão, sob o argumento de que se a população não tivesse acesso aos serviços da religião, deixariam de apoiar o clero, e aumentaria a heresia no reino. Afonso continuou sob interdicto pessoal, ao qual se mostrou indiferente, apoiado pelo seu clero. Depois da separação com Berengária, o rei voltou a ligar-se a Teresa, a cujas filhas legou o reino. Depois da separação de Berengária, a política de Afonso IX centrou-se na rivalidade com Castela, que violara os acordos com o seu reino, conquistando-lhe toda a Franja del Carrión e parte de Tierra de Campos. Em 1217 Berengária tornou-se rainha de Castela após a morte do irmão Henrique I de Castela, mas abdicou quase imediatamente para o filho de ambos, Fernando III de Leão e Castela. Em consequência, este foi viver com a sua mãe e governar Castela. Afonso IX, que ambicionava a esta coroa por ser neto de Afonso VII de Leão e Castela, proclamou guerra aberta ao reino do filho, apoiado pela poderosa família Lara e outros nobres descontentes. Os seus planos não se concretizariam e acabaria por assinar umas tréguas com a sua ex-esposa. No processo deserdaria o filho da coroa de Leão. editar PosteridadeEm 1218, Afonso fundou a Universidade de Salamanca. Depois do fracasso com Castela, concentrou-se na luta contra os almóadas, onde se destacam as suas conquistas na Extremadura: Cáceres em 1229, Mérida e Badajoz em 1230. Embora, por sua morte em 1230, o seu testamento prevesse que o trono seria legado às suas filhas Sancha II de Leão e Dulce I de Leão, resultantes do primeiro matrimónio, foi o filho que teve do segundo, Fernando III de Leão e Castela, que acabaria por lhe suceder, juntando as duas coroas numa união pessoal: cada uma manteria a sua independência, cortes e oficiais, mas seriam regidas pelo mesmo monarca. editar DescendênciaDo primeiro casamento com Teresa Sanches de Portugal, teve:
Do segundo casamento, com Berengária de Castela, teve:
Afonso IX também teve vários filhos bastardos. Filhos de Aldonça Martins da Silva (filha de Martim Gomes da Silva e Urraca Rodrigues:
Filhos de Inês Iñiguez de Mendoza (filha de Lope Iñíguez, primeiro senhor de Mendoza, e Teresa Ximenez de los Cameros): Filhos de Teresa Gil de Soverosa (filha de Gil Vasques de Soverosa e Maria Aires de Fornelos):
Filhos de uma mulher desconhecida:
editar Referências
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