D. Sancho II (cognominado O Capelo por haver usado um enquanto criança; alternativamente, é também conhecido como O Pio ou O Piedoso), quarto rei de Portugal, nasceu em Coimbra a 8 de Setembro 1209, filho do rei Afonso II de Portugal e da rainha D. Urraca de Castela.
Sancho subiu ao trono em 1223 e foi sucedido pelo irmão Afonso III em 1248 (embora tenha abdicado em 1247, só após a sua morte Afonso se declarou rei).
Por altura da sua coroação, Portugal encontrava-se envolvido num sério conflito diplomático com a Igreja Católica. Seu pai, o rei Afonso II, havia sido excomungado pelo Papa Honório III, pelas suas tentativas de reduzir o poder da Igreja dentro do país. Sancho II assinou um tratado de 10 pontos com o Papa, mas não fez muita questão em passá-lo à prática, dando mais atenção à Reconquista da Península Ibérica. Sancho II conquistou várias cidades no Algarve e no Alentejo tendo, para tal, muito contribuído a acção da Ordem de Santiago. Esta Ordem militar recebeu como pagamento dos serviços prestados diversas povoações, tais como Aljustrel, Sesimbra, Aljafar de Pena, Mértola, Aiamonte e Tavira.
Sancho II provou ser um general capaz e eficiente, mas no campo administrativo mostrou-se menos dotado. O rei manteve-se sobretudo interessado pelo lado militar do seu reinado e assim abriu o flanco para disputas internas e intrigas da nobreza. Com a situação da Igreja bastante comprometida, o bispo do Porto Martinho Rodrigues fez uma queixa formal ao Papa, que no século XIII detinha poder de colocar e retirar coroas conforme os seus interesses. No concílio de Lião de 1245, o Papa Inocêncio IV, através da bula Inter alia desiderabilia e Grandi non emmerito' excomungou e depôs Sancho II, considerando-o um «rex innutilis» (ou seja, que não sabia administrar a justiça no seu reino), tendo ordenado aos Portugueses que escolhessem um novo rei para substituir o herege.
Em 1246, o irmão mais novo de Sancho, Afonso, então a viver em França como Conde de Bolonha, foi convidado a ocupar o trono real. Numa assembleia de prelados e nobres portugueses, reunida em Paris, D. Afonso jurou que guardaria e faria guardar todos os privilégios, foros e costumes dos municípios, cavaleiros, peões, religiosos e clérigos seculares do reino. Afonso abdicou imediatamente das suas terras Francesas e marchou sobre Portugal. Apesar de não ter perdido nenhuma das batalhas contra o seu irmão, a pressão da Santa Sé levou Sancho II a abdicar em 1247 e a exilar-se em Toledo onde morreu a 4 de Dezembro de 1248. Julga-se que os seus restos mortais repousem na catedral de Toledo.
editar Descendência
Sancho parece ter sido consorciado (segundo a historiografia tradicional, nunca casado, dado não ter havido dispensa papal da consanguinidade, pelo que o casamento seria sempre nulo) com uma nobre biscainha, Mécia Lopes de Haro, da qual não gerou filho algum (de resto, a historiografia esforçou-se por afirmar que o rei era inapto não apenas para o exercício do governo, como também do ponto de vista físico, dizendo ser impotente). Por não haver gerado filho legítimo algum que lhe sucedesse, a coroa acabou necessariamente por recair num colateral - neste caso seu irmão mais novo Afonso III.
editar Bibliografia
- FERNANDES, Hermenegildo, D. Sancho II. Tragédia, Rio de Mouro, Círculo de Leitores, 2006.
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